sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Preocupação com a (nossa) Amazônia


 Historicamente, o Brasil tem se caracterizado no cenário mundial como um país rico em recursos naturais e ambientais, tendo o seu processo de desenvolvimento econômico iniciado com a exploração do recurso natural mais abundante. A política agrícola brasileira predominante está vinculada a um modelo de desenvolvimento que tem como pressupostos básicos a viabilização de um processo de expansão da fronteira agrícola, o aumento da produção e da produtividade agropecuária, o controle das condições naturais pela intensificação do uso de insumos químicos, maquinários e implementos agrícolas, a integração do setor agropecuário à indústria e ao mercado externo e a diminuição do pessoal ocupado.


  Nos últimos anos, os diferentes setores da sociedade têm discutido formas de introduzir em programas e políticas de desenvolvimento rural, práticas sustentáveis para o uso da terra. No caso da Amazônia, há a necessidade de se estabelecer um processo diferenciado de ocupação e produção rural, que valorize as características ecológicas regionais, a exploração racional dos recursos naturais, o saber popular e a inclusão social. Sem essas características, programas de desenvolvimento tendem ao fracasso. Foram estruturados órgãos de desenvolvimento regional, como a SUDAM (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) e o BASA (Banco da Amazônia).Os incentivos fiscais (empréstimos inferiores à taxa de inflação) permitiram que empresas e investidores individuais do sul do Brasil aplicassem parte dos seus impostos sobre os lucros obtidos em outras regiões do país, principalmente em projetos pecuário na Amazônia. Em 1970, foi criado o programa de Integração Nacional (PIN) para financiar a construção de estradas e o Programa de Redistribuição de Terras (PROTERRA), cujos objetivos eram distribuir terras devolutas e estimular a agroindústria na Amazônia para substituir a agricultura migratória. 

  Ao longo dos anos as unidades de produção familiar rural na Amazônia têm enfrentado o dilema da falta de apoio social, assistência técnica, extensão rural, infra-estrutura, incentivos econômicos, políticas ambientais e de programas efetivos para comercialização de seus produtos. Em um mercado cada vez mais global, a Amazônia se encontra em clara desvantagem devido a sua infra-estrutura inadequada (particularmente fornecimento de energia, estradas e infra-estrutura portuária), escassez de agroindústrias, organizações de produtores incipientes e sistema de pesquisa e desenvolvimento mal financiado. Devido a estas restrições, a maioria da produção e processamento de frutas tropicais, incluindo aquelas nativas da Amazônia, ocorre no nordeste no Brasil e no estado de São Paulo, onde a infra-estrutura e a produtividade são melhores. O histórico das tentativas governamentais e privadas para o desenvolvimento da Amazônia tem ratificado a necessidade do incentivo à pesquisa científica, à implantação de sistemas de uso da terra sustentáveis  econômica, ambiental e socialmente, do uso de tecnologias adequadas à região e de uma política voltada para os interesses da população, considerando as características ecológicas regionais.




Referências Bibliográficas :
Joanne Régis da Costa1 e Sandra Celia Tapia-Coral2
1. MSc Ecologia, Embrapa Amazônia Ocidental. 2. Dr. Ecologia-INPA

Um comentário:

  1. A Amazônia é um sistema biologicamente completo, ou seja, tudo o que ele produz ele utiliza. Devemos sempre pensar nisso ao pensar em sustentabilidade. Além do mais o ecossistema amazônico não depende somente das ações tomadas no Brasil, já que a região amazônica engloba vários países. A conservação e a exploração racional desse ecossistema depende da ação conjunta de vários países.

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